O Guarani de Bagé não é apenas um clube de futebol localizado no Rio Grande do Sul. Com história e tradição, a terceira equipe mais vencedora do Gauchão carrega um legado de ancestralidade que vai além do futebol, conectando Bagé para as principais competições nacionais.
Ancestralidade e amor às suas raízes
Como dito anteriormente, o Guarani é muito mais que um clube gaúcho. Já em seu nome, carrega um profundo significado histórico e cultural para a cidade de Bagé. O clube que representa a região por mais de um século, iniciou a sua trajetória em meados de 1907.
Um grupo de jovens bageenses apaixonados por futebol resolveu criar um time de futebol, assim nasceria o Guarani Futebol Clube com o objetivo de criar uma agremiação que representasse com orgulho a cidade no cenário esportivo na terra dos pampas.
A ironia do destino, fez inicialmente cogitar-se em adotar o nome “Internacional”, mas prevaleceu Guarani. O motivo? Um resgatamento da história e uma homenagem ao povo indígena Guarani, que habitava a região.
Reconhecido por sua força, coragem e espírito guerreiro, esse povo inspirou os fundadores a criar uma identidade sólida e única.
Pioneiro, o Guarani foi o primeiro clube gaúcho a adotar as cores vermelha e branca, tornando-se o primeiro alvirrubro riograndense. As primeiras camisas foram trazidas do Nacional de Montevidéu por Carlos Garrastazu, um dos fundadores.
A Ascensão no Interior
Nos primeiros anos do futebol gaúcho, o Guarani já encarava os clubes da capital. Em 1920 conquistou o primeiro título estadual do clube e se tornou a primeira equipe do interior a levantar a taça. Em 1938 veio o segundo troféu e o bicampeonato.
Não foi obra do acaso. O time ainda foi vice em 1926 e 1929 e voltou a decidir em 1958. Naquele formato que reunia campeões da capital e do interior, o Guarani soube competir e deixou seu nome gravado na história.
A Força de Bagé
A cidade de Bagé tornou-se palco de um dos clássicos mais tradicionais do interior: Guarani x Bagé. Os duelos pelo Campeonato Citadino marcaram gerações, construindo uma identidade esportiva única.
Ao longo do século XX, o Guarani acumulou dezenas de conquistas municipais, tornando-se símbolo da cidade e referência para toda a região.
Desafios e Reconstrução
Após um período de vacas magras, sem grandes conquistas estaduais, o Guarani iniciaria uma nova fase. Em 99, venceu a Terceira Divisão Gaúcha. Já em 2006, conquistou a Divisão de Acesso, retornando à elite após 25 anos.
Entre acessos e descensos, o Guarani manteve viva sua presença nas principais competições do Rio Grande do Sul, sempre impulsionado pela paixão da torcida e pela força do Estádio Estrela d’Alva.
O Índio Guerreiro Renascido (2019 até o presente)
A virada do século marcou um novo capítulo. Em 2019, o Guarani foi campeão invicto da Terceira Divisão. Em 2021 voltou à elite depois de 13 anos. Em 2023 confirmou a força do projeto ao ser vice da Série A2 e garantir novo acesso.
A temporada de 2024 entrou para a história. O time terminou a fase classificatória do Gauchão em quarto lugar, à frente de Grêmio, Internacional e Caxias, e fechou a competição em quinto, com vaga inédita para a Série D.
Já na última temporada, precisamente na Copa do Brasil de 2025, a Estrela d’Alva viveu uma noite inesquecível. Virou sobre o Altos-PI por 2 a 1, avançou de fase e enfrentou o Atlético Paranaense na sequência.
Símbolos, Ídolos e Eternidade
As cores vermelha e branca, o escudo tradicional e a rivalidade centenária com o Bagé são pilares da identidade do Guarani.
O clube revelou nomes importantes como Branco, tetracampeão mundial, e Martim Silveira, que disputou as Copas de 1934 e 1938. Com dois títulos estaduais da Primeira Divisão, conquistas em todas as divisões e presença nacional, o Guarani de Bagé é o maior campeão do interior do Rio Grande do Sul, um clube que carrega a alma da sua cidade.